Mar à Pedra

Mar à Pedra

domingo, 23 de novembro de 2014

Discurso Pessoal no XVI Congresso Distrital de Leiria do Partido Socialista



Caras e caros camaradas,

Vivemos atualmente um período crítico da nossa história. Hoje, mais do que nunca, o Estado Direito que fomos defendendo, há mais de 30 anos, sofre várias ameaças de várias ordens, que colocam em causa o funcionamento da própria Democracia”.
É esta a frase inicial da Moção Global Estratégica apresentada pelo camarada António Lacerda Sales, com a qual não poderia estar mais de acordo.
Efetivamente, os dias que vivemos estão a ser, e serão no futuro, um desafio para esta geração e para as vindouras. A geração da esperança, a mesma que viveu abril, fracassou. É um facto. 40 anos depois, o sistema político está enfermo; as populações não se reveem nas políticas propostas pelos partidos políticos, principalmente, porque consideram que os políticos estão, não ao serviço das populações, mas a servir-se das mesmas.
Se até há alguns anos atrás, a Justiça era ainda um reduto impoluto, hoje todos reconhecemos a promiscuidade entre o sistema político e judicial. Caso mais evidente são as constantes decisões, e até a falta delas, que premeiam os criminosos e, como consequência, penalizam quem vive de práticas de honradez.
Foi este o país criado por essa geração falhada, que tudo teve e que só delegou nas gerações futuras os enormes problemas gerados. Alguns dirão que é com os erros que se aprende e que todos têm direito a uma segunda oportunidade, eu até subscrevo essa tese. O que rejeito liminarmente é a utilização da política para a concretização de objetivos pessoais, em detrimento do fundamento da causa partidária, ou seja: a de servir, dentro dos ideais doutrinários de cada força política, os mais elevados interesses das populações.
O que me move a mim, e a muitos dos camaradas presentes neste congresso, em apoiar a moção do camarada António Sales, é tão-somente a defesa desses basilares princípios sociais, fundamentais para quem representa populações: a honestidade; a credibilidade; a humildade; a ética; a competência técnica; a experiência, a persistência e, acima de tudo, o facto de não necessitar da política para obter dividendos pessoais.
Os futuros representantes das populações terão de deter todos estes atributos, para que não se cometam os mesmos erros do passado.

É com descomunal lamento que identifico, hoje nesta sala, cidadãos que apoiaram os nossos adversários políticos; cidadãos que estiveram presentes em campanhas eleitorais de outras forças políticas, como o PSD; cidadãos que foram eleitos por outras candidaturas e que nem sequer tiveram o pejo em manter a militância no Partido Socialista. Felizmente perderam!
Estes cidadãos são os mesmos fundadores da interminável senda de derrotas que se iniciou há mais de vinte anos. São os mesmos que tudo têm feito, nos últimos tempos, para dificultar a árdua tarefa que o camarada Walter Chicharro e o projeto do Partido Socialista têm em mãos, e todos sabemos bem com que intenção.
Ganhou o Partido Socialista. Ganhou a Nazaré!
20 anos depois o PS voltou a ser poder na Nazaré!
Mas a maior vitória foi a derrota desta doutrina voraz, cuja única premissa é a defesa dos interesses individuais em detrimento dos interesses coletivos.
É contra estes métodos de fazer política que me verão, sempre na frente de batalha, em defesa dos mais elevados interesses das populações, sempre sob a égide da doutrina socialista.
Nesta retumbante vitória, não pode ser esquecida a colaboração inexcedível dos órgãos distritais e nacionais, encabeçados pelo até hoje Presidente da Federação Distrital, João Paulo Pedrosa, e pelo ex-secretário geral do Partido, António José Seguro, que tudo fizeram para que o PS concretizasse estas e tantas outras vitórias, no distrito e no país.
A todos eles o nosso enorme e eterno obrigado.

Caras e caros camaradas,
Os próximos tempos serão de enorme exigência e, como em tudo na vida, é nos momentos mais difíceis que se evidenciam as soluções.
Por vezes, é necessário dar dois passos atrás para se poder dar quatro passos em frente.
Tenho de acreditar e tenho de me bater sempre pela verdade; pela seriedade; pela coerência; pelo rigor; pela justiça.
O Partido Socialista precisa de chamar a si as populações. Necessita de voltar a deter a credibilidade perdida no passado. Este terá de ser o nosso compromisso para com a nação. Portugal não pode voltar ao passado!

O PS é um partido nascido do povo e para o povo.
O PS somos nós!

Viva da Democracia!
Viva o nosso PS!



Muito obrigado!


Orlando Rodrigues

terça-feira, 23 de setembro de 2014

A Guerra e a Ira




Era uma vez um príncipe (José Sócrates) que havia governado o burgo de uma forma ardilosa, mas com uma objetividade de catavento. Se por um lado iniciou o processo de privatização da gestão de águas, saneamento e resíduos (medida liberal), por outro legalizava o casamento gay (medida da autoria da extrema esquerda). Se por um lado entregava computadores a todos os meninos, por outro viu-se na necessidade de fazer-se rodear de sucateiros e de abdutores de robalos. Enfim, foi desafiado para um duelo agendado. O desafiante, de tão frágil que evidenciava ser, ainda assim reuniu um exército mais poderoso, gerou mais consensos e venceu o duelo ao tão poderoso príncipe. O exército vencido recuou ferido e dispersou para as montanhas da última bancada pulpitar. Príncipe morto, burguês (Pedro Passos Coelho) posto.
O burguês fez o que há muito pretendia, apoiado pelo regedor, gerou riqueza à minoria, que já era rica, e empobreceu o povo, que privado das suas terras se viu obrigado a partir para outras paragens. 
Com o exército derrotado em debandada, e com o príncipe decapitado, o nóbil herdeiro (António Costa) o que, naturalmente, seria o líder deste exército decidiu não o ser. Não quis sair do seu castelo altaneiro. Decidiu, juntamente com os conselheiros da antiga corte, apoiar um singelo pagem (Francisco Assis). Um homem de bem, mas que representava a subserviência a quem, por incúria e arrogância, havia desprezado os seus súbditos. Quem também se apresentou para liderar este exército foi um cavaleiro de brigada (António José Seguro). Este era um daqueles que nunca liderou a batalha, mas que nunca fugiu de nenhuma guerra. A argumentária foi feroz, porém os soldados decidiram seguir o cavaleiro. O fiel e honesto pagem, como sempre, foi fiel ao seu principado. Seguiu com o exército.
O momento de gerar um exército capaz de fazer cair um burguês, que não servia a plebe, urgia. O cavaleiro foi, desta feita, em demanda pelo principado. Calcorreou mundos e fundos, cidades e lugarejos. Ouviu os lesados. Falou com todos e, assim, gerou um exército que, para além de armas de arremesso, estava, também, munido de gentes disposta a lutar, livres, sem contrapartidas. O burguês sentia a ameaça. O seu ardil poderia capitular. 
No dia em que o exército reforçado se preparava para atacar a fortificação em que o burguês já vivia encurralado, eis que surje, montado num cavalo dourado, o nóbil herdeiro, juntamente com a corte fiel que se havia refugiado nas montanhas da pulpitar bancada (Assembleia da República). Quando todos esperavam que estes se juntassem ao exército,que reforçassem o exército, eis que a antítese surgiu. Agora o nóbil herdeiro considerava ser ele o legítimo sucessor e chama a si o exército. Considera que só ele pode vencer as forças inimigas. O cavaleiro pergunta apenas: mas por que não o fizeste aquando da derrota? Porque precisámos de vencer duas batalhas para agora reclamares o exército e os futuros títulos para a tua pessoa? O nóbil herdeiro e restantes apoiantes chamaram a si os que de si sempre dependeram, lançaram os gritos de guerra e consigo acolheram mercenários e humildes e fiéis batalhadores.

Eu sou só um guerreiro de arma na mão, alguém que só quer o melhor para a sua aldeia, para a sua família.  Quem me lidera? Pergunto com tom de estupefação. Mas agora é assim? Irei agora defender os reclamantes que haviam perdido o principado para tão impreparado burguês. Auxiliar os que nada fizeram para reaver o principado, ou defenderei quem em minha humilde casa, várias vezes, que me ajudou nos momentos difíceis do pós-guerra. Onde estava o paladino nóbil? Em seu forte? Não sei...
O que sei é que o burguês tem de sair para reavermos os nosso direitos, temos de unidos fazer a força necessária que a plebe tanto reclama e que a nação tanto anseia. 
O exército está dividido, ferido. As brigadas que chegaram com o nóbil herdeiro cavalgaram demasiado. Estão sedentas. Parece que, uma vez mais, a guerra está em risco. Ainda assim, desenbainham as armas laminares. Cavalgam para os seus pares. Todos olham em redor e não sabem se defender o parceiro ou se o devem ferir de morte. Começa a batalha fratricida. Do alto do monte os mensageiros do burguês, rejubilam. Cavalgam, em trote de passeio, para junto de seu mestre com a grandiosa notícia que a vitória aproxima-se sem sequer transpirar.

Por instantes baixo a cabeça. Respiro fundo e volto a erguer a face. Olho em redor. Arrepio ao assistir à dantesca imagem que irradia da ambição sequiosa do nóbil herdeiro. Desta feita, foco o horizonte e, num grito de ira, exclamo: Pátria ou morte!
Corro, corro e corro. Corro para longe daquela batalha entre pares. Nem sei quem me segue, nem me interessa, todos me olham pasmados, indecisos inebriados pela questão nuclear que brando a toda a voz: - Querem ou não querem mudar? Afinal para que servem as guerras?

terça-feira, 19 de agosto de 2014

Por favor! - Não vão por aí...


As modas são cíclicas. É tão-somente esta a esperança de quem aguarda, pacientemente, por uma nova oportunidade. Não vou ter brandas nem medidas palavras nesta minha reflexão. Não porque não possa, mas porque não quero. 
Não admito que aqueles que ajudaram, com manobras ardilosas e subreptícias, a perpetuar um modelo autárquico na minha terra natal que só ajudou a alongar uma gestão danosa que privilegiava alguns em detrimento da maioria, venha agora se apresentar como impoluto e detentor de intocável credibilidade.
Foi assim, e assim seria se um projeto ambicioso e desprendido desses vícios passados, incorporado de gente de cara limpa, que nunca se envolveu em atos menos adequados a quem vive em sociedade, contra quase tudo e quase todos os que da política local se tem alimentado. Afinal o desígnio do profeta não se concretizou: "o PS só volta a ganhar comigo".
Se o eterno silêncio de alguns foi assustador durante anos, hoje entendo muito melhor o porquê de tais comportamentos.
Hoje sei quem danificava contadores de água para evitar consumos elevados; sei quem acumulou dívidas de milhares de consumo de água, saneamento e RSU; sei quem acumulou dívidas de largos milhares de euros de taxas de ocupação de via pública; sei quem auferia milhares em quilómetros nunca realizados. Sei mais do que deveria, não duvido. Até mais do que digo. Mas sei. O que mais me entristece é que são alguns destes "impolutos cidadãos" que agora censuram a gestão PS, enquanto em outros tempos nada diziam e nada faziam. Se seria entendível este comportamento em quem defendia a gestão criteriosa, ou seja, que seleciona os beneméritos com critério, não será intolerável verificar que estas vozes pertencem, supostamente, à mesma família política da atual equipa gestacionária? Nada mais falso. Afinal a tolerância agora é ZERO. Isto porque a complacência com as excentricidades de alguns não se coaduna com a legislação em vigor. Preciosidades dirão alguns, seriedade declaro eu. 
Estes "paladinos da derrota", doutos e reputados feitores do negativismo e presunção acumuladas, das quais só exala ódio e despudor. Quase fazem lembrar os testemunhados batismos no rio Jordão. Um mergulho e a pureza eis que surge, de novo, qual recém nascido a espernear, ainda roxo, nos primeiros segundos de vida.

Para estes é normal militantes se apresentarem contra o seu partido? É normal que eleitos por outras forças continuem a exercer o estatuto de militante? É normal que quem conseguiu perder eleições, quando ganhar era o mais fácil, agora surja como salvador? E os que bajulavam tudo e todos, mas no momento das urnas mostravam em surdina, com o ar de quem já enganou mais uns quantos, a intenção de voto na continuidade. Sim na continuidade! Ou acham que estes doutos da derrota alguma vez pretendiam a mudança, estando  protegidos na tão felpuda capa do compadrio? 
Será normal eu ter visto militantes do PS em campanha pelo partido do anterior executivo, lá está, porventura para perpetuar os tais favorzinhos, tantas vezes oportunos e originários de um silêncio confrangedor? Será normal abordar militantes para formar listas e mais listas com intuito de dividir eleitorado? O problema afinal foi só um: o PS voltou a ganhar, 20 anos depois, e os intérpretes eram diferentes. Volto a repetir: o PS ganhou na Nazaré e vossas excelências não votaram neste projeto. E eu, adepto de consensos, digo hoje sem pejo: Ainda bem que não votaram no PS. A vitória foi ainda mais saborosa e histórica. 
Há duas máximas que em política nunca corroborei, talvez por inocência, apesar de acreditar que se deve a compacência: a primeira que "os adversários estão lá fora, mas os inimigos estão cá dentro" e a segunda que "quem perdoa o inimigo às suas mãos há-de padecer". Cuidado camaradas que tenho instinto de sobrevivência. Não caio às primeiras. E quando caio não serei o último a caír. Afinal, o pior defeito do guerreiro é não respeitar o adversário. Sempre gostei que me substimassem. É a minha maior arma.
Comecei a falar de oportunidades perdidas. Perdem mais uma oportunidade: a de ficar em perpétuo silêncio aguardando que a grave poeira assente de vez e que a História se faça, como tem de ser feita, por vezes ocultando a verdade nas soturnas camadas compactadas e endurecidas da eternidade. Poderei fazer parte da história como muita coisa, mas jamais com epítetos transatos que me escuso a retratar.

Este é um conflito que reflete quase a antítese defendida por Sigmund Freund. Desta feita é o mais velho que quer matar o mais novo, tudo para conquistar o colo materno tão saudoso.

Só há um problema: felizmente eu tenho memória, e pelos vistos a grande maioria dos meus conterrâneos também. 

Os recentes "ataques" resultam do drama de quem pensa da seguinte forma: -"Bem nós perdemos sempre, mas como os outros perderam, agora para voltar ao poder só falta destruir quem lá está agora! Em política quanto pior melhor. Diz um curioso que ouve a tacanha retórica, em tom de desabafo: "Já me tinhas dito..."

Um último pedido: Respeitem quem, abnegadamente, de sol a sol, só pensa em salvar a sua terra do caos em que se vê mergulhada. Olhar para uma TV não faz do observador um técnico de TV. Há coisas para lá da tela. Muitas coisas, infelizmente, porque afinal "comeram tudo e não deixaram nada"...



domingo, 1 de junho de 2014

Os Canibais



Os tempos que vivemos evidenciam um claro retrocesso civilizacional. A indiferença com que o mundo ocidental lidou nos conflitos da ex-Jugoslávia e do Ruanda e, mais recentemente, com o que sucedeu na Síria e Ucrânia denota uma clara insensibilidade e inaptidão política de gerir estes processos por via diplomática. A forma como a Humanidade tem lidado com estas crueldades, sem qualquer punição em tempo útil, denota um abandono dos primários princípio de solidariedade e justiça.
Após o flagelo bélico mundial que sucedeu por duas vezes no século XX, que levou a que as mais variadas nações optassem pela paz, pelo diálogo e pela união. O verdadeiro exemplo disso foi o surgimento de um projeto que defendia uma união económica e política no continente europeu. Se o último item gerava imensa discussão, no que concerne à independência dos estados, o projeto de união económica foi, paulatinamente, dinamizado, transformando um continente destroçado pela guerra num modelo económico sui generis, ainda para mais, quando buscava a igualdade entre estados. Mais recentemente, tudo tem vindo a mudar. Uma vez mais, nasce no norte da europa, no núcleo franco-germano, um modelo de governação focalizado em estímulos individualistas e egocêntricos. Reina a xenofobia, o racismo e a cobiça.
Como tudo na vida, tudo tem um fim. Os tempos de ganância e individualismo fazem recordar os primeiros momentos do sectarismo do nacional-socialismo, que apesar de tudo, foi um modelo que vigorou por grande parte da europa e até pelo continente americano até ao último quartel do século XX. Fator não menos importante deveu-se à hegemonia do sistema capitalismo sob qualquer outro modelo económico e social. O neo-liberalismo ingeriu nas sociedades ocidentais de forma paulatina, contudo, hoje é um modelo que está em plena expansão. Se em alguns momentos se poderia aceitar a revigorante mudança económica, a verdade é que a forma como o ser humano tem sido desvalorizado, por si próprio acaba por gerar um egoísmo natural, sentimento inato do ser humano, visto que a lei natural ordena que prevaleçam os mais fortes. Nesta espécie humana, este sentimento tem-se esbatido, no entanto, é visível que em momentos de dificuldade o humano torna-se egocêntrico, focalizado num individualismo primitivo que, ao longo dos tempos, se foi atestando ser a génese dos conflitos e retrocessos civilizacionais.
Hoje não existem surpresas (dizem alguns), reina a lei da selva (afirmam outros). Não poderia estar mais de acordo. O que mais me assusta é que os mais basilares princípios da democracia começam a ser beliscados. Poucos se importam que a Constituição Portuguesa tenha sido violada, consecutivamente, nos últimos três anos. Mais perigoso é quando alguém que jura defender a Constituição permite que esta seja violada sem que tire desses atos consequências políticas. O mesmo que definia a determinado momento de convulsão económico como "explosivo", ultimamente, o mesmo ser humano promove o silêncio como forma de arbitrar. Como em qualquer desporto, o árbitro só é bom se promover a verdade e a justiça. Quem não assinala faltas perigosas e não expulsa quem agride voluntariamente não pode ser árbitro. Um árbitro serve para arbitrar e, geralmente encontra-se munido de um apito.
Como já referi, vivem-se tempos diferentes, mas já vividos no passado por outras gerações. O que não esperava é que numa força política que tem vindo a combater, com mais ou menos vigor, esta tendência canibalista da sociedade, se utilizassem estratagemas que apelidaria de anti-democráticos, apenas e só, com o objetivo de alguns alcançarem o poder. Se por um lado os focos estão centralizados em duas individualidades, não tenho qualquer dúvida que as verdadeiras movimentações erguem-se de forma sub-reptícia, quer por forças capitalistas que já entenderam que a continuidade de governação, via PSD-CDS será uma miragem, dentro de um ano; junto disso, nasce agora, de forma despropositada e de forma duvidosa a clara vontade de mudança interna no PS, promovida no interior da estrutura maçónica, promovendo um dos seus membros para a tábua do poder. Se estas movimentações escapam à maioria dos cidadãos, estas só evidenciam o que de mais pútrido emana do ser humano: a cobiça!
A mim tudo isto me aflige. As pessoas são totalmente secundarizadas em todos estes inúmeros conflitos. O ser humano é mesmo feito para guerrear. O genoma pode ser manipulado de inúmeras formas, mas a ganância ainda não se conseguiu extrair do ADN humano. É curioso que o que mais emerge do mamífero mais apto a sobreviver num mundo de tumulto é a ganância. O mesmo atributo que, sucessivamente, tem gerado e destruído impérios. Resta esperar que um dia, espero que em breve, a ganância deixe de ser uma característica humana. Enquanto assim não for continuarão a morrer inocentes, continuará a haver fome no mundo, enfim, continuaremos a viver num mundo de desigualdades. 
É o simples ato de lutar contra este flagelo da desigualdade social que me mobiliza como cidadão. Não aceito que alguns se continuem as alimentar da "carne dos inocentes". 
Um canibal não produz nada: limita-se a aguardar que um semelhante cometa erros e, nesse momento, promove o ataque. Esquece-se é que um dia a carne acaba e surge o osso. 
Há que dignificar a sociedade e devem ser os mais ilustres dessa sociedade a dar o devido exemplo. Num momento em que os políticos são a mancha da democracia é necessário inverter o distanciamento dos governantesem relação às comunidades. Qualquer que seja o modelo de pensamento existem características não se poderão nunca desvanecer numa sociedade: Honestidade, Solidariedade, Igualdade e Justiça. Enquanto tal não suceda apenas nos resta aguardar pelo eterno adeus aos canibais.

domingo, 4 de agosto de 2013

Carta aberta dirigida ao Provedor do Telespetador (RTP)



Nos últimos dois dias (3 e 4 de agosto) tem sido apresentada uma reportagem jornalística que  usa como título "Surfistas e turistas vão à Praia da Nazaré ver McNamara". O conteúdo desta reportagem preocupa-me, pois é baseada em fundamentos falaciosos, visto que as imagens reportam à data de 9 de julho, aquando da vinda do reconhecido surfista à vila.
Mais recentemente, o mesmo surfista voltou à Nazaré (aquando da atribuição de uma medalha pela Marinha),  mas sem promover qualquer ato semelhante ao reportado pela RTP. Reforço que este ato público foi noticiado, e bem, pela maioria dos órgãos de comunicação nacionais.
Faço esta crítica à RTP por potenciar informação errada, visto que Garrett McNamara não se encontra na Nazaré e muito menos tem desenvolvido atividade pública no areal com vista à promoção do projeto Zon North Canyon.
Assim sendo, só posso classificar esta ato como uma de três hipóteses: 1ª- Ato de desinformação voluntário ou involuntário que gerará frustração em todos os que pretendam visitar a Nazaré, neste âmbito, e não verão os seus intentos satisfeitos; 2ª- Ação publicitária movida por alguém, mas que, infelizmente, não evidencia a realidade (situação que deveria ser atestada pela estação pública de televisão); e 3ª- Promoção política de um candidato inúmeras vezes visível na citada reportagem. Espero, sinceramente, que esta última seja apenas fruto da minha imaginação.
Finalmente, aguardo que a verdade seja reposta para bem da credibilidade e isenção da RTP. 
Atenciosamente

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Para que servem as palavras?




Se em tempos a Língua Portuguesa era demasiado complexa, para muitos, levando a que, alguns equívocos semânticos se tornassem comuns, atualmente, com os níveis de literacia vigentes, deveria esta Língua ser mais compreensível e melhor aplicada.
É com alguma recorrência que se evidencia a regular repetição de ideias. O mais comum é a utilização de advérbios de modo como instrumento de pausas verbais, felizmente menos verificáveis em contexto escrito. Assim, palavras terminadas em "mente" como: realmente, consequentemente, evidentemente, etc, são utilizadas como pausas contextuais, que quase só servem para impedir pausas desconfortáveis e contextualizar ideias dispersas. Por vezes, têm só a simples função de equivocar o recetor, com o objetivo de ofuscar a ideia de que o comunicador não tem a ideia profunda do tema que aborda. O que, convenhamos, seria desconfortável e até, em alguns casos, embaraçoso.
As relações entre os seres humanos ou entre o ser humano e o mundo são bastante complexas. Para dar conta da complexidade das ideias e das relações, a linguagem necessita de mecanismos próprios. Por exemplo: como indicar que uma ideia se opõe a outra? Como indicar que um facto é a causa ou a consequência de outro?
     As conjunções cumprem esse papel, estabelecendo nexos lógicos entre as orações. Elas são, portanto, um dos elementos essenciais para que um texto seja coerente e coeso.
Ainda assim, e reconhecendo a importância de palavras como as conjunções, é recorrente evidenciar a utilização indevida de palavras como: portanto, mas também, como também, por conseguinte, além de (disso, disto, aquilo), quanto, mas, etc. Estas são tantas vezes utilizadas apenas com a singela função de embelezar um discurso, por vezes de tal forma incoerente e indescortinável, que conseguem dissimular uma total incapacidade de expressar uma ou várias ideias. 
Outra técnica, ainda mais complexa, é a utilização de advérbios de modo. Enfim, mais apêndices que fortalecem o contexto discursivo, mas que em nada auxiliam à desconstrução da mensagem produzida. É muito frequente a combinação de advérbios com formas verbais, principalmente conjugadas no tempo verbal reconhecido como Imperativo ou até no Presente do Conjuntivo. Exemplos frequentes desta metodologia são casos como: Digamos assim…” (em que se conjuga o Imperativo com um advérbio de modo, implicitando uma ordenação subliminar) ou “Possamos pois…” (neste caso utiliza-se o mesmo tempo verbal, mas desta feita, conjugado com um advérbio de modo). Já agora é importante referir que, por vezes, alguns comunicadores, menos dominadores da Língua Materna, têm o comum erro de pronunciar a primeira pessoa do plural do Imperativo de forma a que esta indicie acentuação esdrúxula. Este lapso não passa de um erro, comummente, cometido por indivíduos que conhecem pouco as regras básicas da Língua Portuguesa e que é evidente em quem escreve e lê muito pouco. É grave! E a sílaba tónica também o é.
De facto, ainda há poucos anos, este seria um erro inconcebível, principal nas gerações nascidas antes do último quartel do século XX. Infelizmente, as recentes gerações, apesar de dominarem muito mais instrumentos comunicacionais, não desenvolveram na sua plenitude um sentido do porquê das coisas. É o mesmo que jogar futebol, mas sem regras padrão. Pode parecer um jogo de futebol, mas para conhecedores do processo tático é fácil identificar o caos. 
Já que estou abordando a questão do caos, aproveito para referir que, na vertente linguística, as lacunas ortográficas e fonéticas são  outras falhas muito frequentes. Nestes casos, se na componente verbal oral não é evidente quaisquer erros de pronúncia, já na componente escrita é recorrente verificar que a aplicação da contração da preposição “a” com o artigo definido “a” (a + a = à) é realizada de forma imperfeita. Isto porque é usual que esta palavra seja acentuada com o acento agudo em vez do grave. Se este procedimento é grave? No meu tempo era, as reguadas eram certas, mas agora que se pretende simplificar a Língua a pontos de incrível ligeireza, já nada me espanta.

Entretanto, antes de escrever pensem bem nas regras básicas de escrita e gramaticais.
Na componente oral é mais difícil, mas dou um simples conselho: 

Falem mais  ...........













Perceberam?



sexta-feira, 7 de junho de 2013

Onde está a aldrabice?




PASSATEMPO

Tente encontrar, na imagem abaixo, a pantominice. Concentre-se porque este é um jogo ilusório e que pode originar desorientação mental. Não se deixe perturbar, porque a patranha está mesmo à sua frente. Pode começar...



Já encontrou? Difícil, não é?

quarta-feira, 15 de maio de 2013

A Mentira não pode correr mais que a Verdade


O que me leva a voltar a abordar a questão da concessão do serviço de abastecimento e saneamento de águas do concelho da Nazaré.

Faço-o porque tem existido, nos últimos dias, uma tentativa de desinformação acerca do processo que já ocorre desde 2011.

Após posições políticas públicas, em defesa de posições politico-partidárias e até na condição de cidadão, na qual exerci com mais seis cidadãos, o direito de contestação deste processo através de instrumento judicial venho, por este meio, prestar, ou tentar prestar, um serviço público de esclarecimento acerca da forma como decorreu o processo.

A última posição política do Presidente da Comissão Política do PSD Nazaré é, não só, exemplo da falta de coerência, mas também um verdadeiro atentado à verdade, tal como ela é.

Os momentos seguintes visam dar voz a algumas intervenções que sucederam na Assembleia Municipal de 28 de setembro de 2012, onde se votou a Privatização dos serviços de abastecimento e saneamento do concelho da Nazaré a privados.

O primeiro ficheiro de áudio retrata a posição do PS ao longo do processo de privatização na voz do deputado, e líder de bancada, Nuno Salvador e da minha pessoa na representação da mesma força política:



De seguida, é feita a defesa do Sr. Presidente de Câmara, Jorge Barroso, na condição de proponente da concessão do serviço, em discussão. A posição é de tal forma clara em defesa da concessão como única alternativa que é redutor explanar qualquer análise. Apenas de notar que é referido que se defende uma descida de preço, com o processo de concessão, quando o que estava protocolado não previa qualquer redução, mas sim aumentos regulares adequados aos valores da inflação. Nada como ouvir. Espero que seja esclarecedor para o ouvinte:



Não posso deixar de, seguidamente, divulgar a minha intervenção de resposta à posição do Sr. Presidente de Câmara:



A seguinte audição é relativa à posição do, então, Presidente dos Serviços Municipalizados na condição de gestor do serviço de abastecimento de Água do concelho da Nazaré. A intervenção vem no sentido de uma questão, por mim formulada, que visava a assunção de sustentabilidade da gestão da água no serviço público. Apesar da resposta ser esclarecedora a defesa de concessão é, claramente, defendida pelo Presidente da entidade gestora da gestão de água, mesmo assumindo a sustentabilidade do "negócio" na posse da entidade pública:



Após levantamento de questões pelo deputado da CDU ao mesmo Presidente dos Serviços Municipalizados, mais esclarecimentos foram prestados e foi claro que o negócio com a empresa Águas do Oeste foi baseado em estudos que projetaram um futuro que não se concretizou e, com isso, lesou os utentes deste serviço do concelho da Nazaré. É, portanto, fundamental promover um processo renegocial em que os fundamentos sejam os adequados à realidade do concelho:



Para que não existam mais dúvidas e equívocos vejo-me no dever de publicar a posição da bancada do PSD, que acabou por aprovar o modelo de concessão, na voz do seu líder de bancada, Joaquim Pequicho. Ainda que incoerente, a posição é clara: esta suporta a decisão tomada no órgão executivo:



Finalmente, é publicada a votação e declaração de voto do Partido Socialista para que não constem quaisquer dúvidas acerca desta temática. De referir que durante a votação a grande maioria dos elementos do público levantaram a mão, aquando do momento de votar contra esta concessão. Acrescento que esta votação é pública e que se sabe que força política a suportou e com o apoio de quem. É, também, evidente algum descontentamento popular durante a votação.
O Partido Socialista, no final desta votação decidiu abandonar a sessão da Assembleia Municipal pela falta de transparência em que este processo havia sido encaminhado e pela falta de democracia na discussão pública do tema.



Muito mais poderia e, se calhar, deveria ser publicado, mas considero que estas gravações expõem e sintetizam bem quais as posições defendidas durante todo o processo. Para quem, mesmo assim, tem algumas dúvidas nada como consultar um documento recém produzido pelo Partido Socialista da Nazaré onde o assunto é bem mais escalpelizado:

Análise Política do Processo de Concessão dos Serviços de Abastecimento e Saneamento de Água do Concelho da Nazaré

A todos aqueles que queiram continuar com este processo de difamação, de mentira, de calúnia cabe-lhes, primeiro, perceber que acima de tudo devem assumir as suas posições, corretas ou não.
Em política não pode valer tudo. Neste momento de grave crise económica e financeira, o que pior pode acontecer é esta ser agravada por uma crise de valores (que na minha opinião é geradora das duas outras crises). Seriedade é fundamental para que se possa andar na rua de cabeça bem erguida, tendo como certeza que tudo o que se faz é para bem do interesse comum.
Volto a frisar a necessidade de clarificar os processos, assumir as decisões e não esconder a verdade dos cidadãos.

A Mentira tem perna curta!

quinta-feira, 21 de março de 2013

O que é o PAEL da Nazaré?



Muitos dos munícipes do concelho da Nazaré não sabem o que, efetivamente, significa o Programa de Apoio à Economia Local (PAEL). É um facto! Pelo que tenho auscultado pelo contacto com os cidadãos, os poucos que têm um conhecimento, ainda que vago, do âmbito deste PAEL não poderia ser mais falacioso. 

O que tem sido dito e escrito pelo Executivo Camarário anuncia que a aprovação deste Programa viabiliza o investimento no concelho, a dinamização da economia local e até a execução de obras prometidas. Uma vez mais, nada mais falso. 

Não querendo ser "dono da verdade" mas sim alguém que busca esclarecer os verdadeiros propósitos deste PAEL não me resta alternativa (em semana em que o mesmo foi viabilizado pelo mais que descredibilizado governo central) senão ajudar a clarificar a questão.

Aconselho todos os que têm dúvidas acerca deste PAEL e das repercussões que este programa terá no concelho e para as suas populações a ouvirem a declaração de voto da bancada do Partido Socialista, apresentada na Assembleia Municipal da Nazaré de 20 de dezembro de 2012, após votação e respetiva aprovação pela maioria PSD.
Ainda assim aconselho todos os interessados a consultar as gravações dos ficheiros das sessões ocorridas no ano transato para poderem ter uma opinião ainda mais formada acerca de todas as problemáticas que existem e agudizam-se no concelho. Podem fazê-lo em:

http://www.cm-nazare.pt/custompages/showpage.aspx?pageid=5ff5255a-eb28-45c8-bff9-60022d045008&m=c227

Façam-no e depois sim, tirem as respetivas conclusões.

sexta-feira, 8 de março de 2013

Homenagem à mulher da Nazaré


Este poema foi por mim criado no, já longínquo, ano de 1996. Tinha  então uns singelos 19 aninhos. 
Publico-o agora como singela homenagem a todos os que sofreram as agruras da vida do mar, em especial, a mulher do pescador que, impotente, tantas vezes, assistiu ao partir de entes queridos: Pais, maridos, filhos e até netos desapareciam na penumbra do mar de quem só se perpetuava a saudade. 
Mas a mulher, mesmo sofrendo, e muito, não virava a cara à luta. A sua coragem e abnegação não devem ser esquecidas e têm de perdurar no genoma local, para bem da identidade nazarena.


Povo bravio, que a vida arrisca
em turbulentas águas,
sedentas de desgraça humana;
vida dá, e risco emana.



Nortada Neptuno apoia
na fogosa busca de morte
o pescador arrisca a sorte
pr’a que dos seus não cuide a vida.



Chispam dos céus tortuosos raios
por Zeus mandados, por bravos recebidos,
sobrenaturais forças ceifam lacaios
nobres estes que de pé são vencidos.



Injustiça impera pr’a lá da praia
afundando consigo bravura e fé
deixando lutuoso povo de negra saia
naquela praia, Nazaré…

Jorge Eustáquio                                                                                      27.06.96

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

"A Nazaré está a mudar!"


Este é, nada mais nada menos, que um discurso do Presidente de Câmara Municipal da Nazaré datado de Abril de 2009, a menos de meio ano para a realização de eleições autárquicas.

Penso que este discurso deverá ficar nos arquivos da história do concelho da Nazaré não só pelo seu conteúdo mas, também, pelo que ele simboliza. O ser humano tem muitas virtudes e defeitos. Por muito que os oculte a História, um dia, encarregar-se-á de classificar os atos e as consequências dos mesmos.

Divulgo este excerto para que não se cometam os mesmos erros do passado.

Por mim já chega de tanta promessa e mentira. Do mesmo lado da barricada virá quem queira transmitir uma ideia de seriedade e de distanciamento com o passado cabe a cada pessoa perceber se estão a ser bem guiadas ou se o concelho em que habitam se está a distanciar de padrões de desenvolvimento que ambicionamos, há muito.
Na condição de munícipe e autarca local não me resta aguardar, serenamente, que a restante população tire as suas conclusões e que caminhe rumo a novos projetos porque os atuais transpiram, para além de desgaste natural, uma total inaptidão para resolver a atual situação autárquica que é, absolutamente, aflitiva.
Para bem de todos espero que todos busquem um concelho melhor.

Para ouvir e refletir...


terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Intervenção relativa a situação financeira em Dezembro de 2010



Resolvi, após dois anos, publicar esta declaração, por mim proferida, em Assembleia Municipal da Nazaré. Faço-o numa altura que se prepara a contratualização de um empréstimo de mais de 20 milhões de euros (PAEL) em que as contrapartidas, para além dos juros, são a fixação, por vinte anos, das taxas como IMI, IRS, Derrama, entre outras, no escalão mais elevado. 
Faço-o, com a intenção de denunciar um modelo errado de gerir a causa pública e de reiterar que existiram pessoas, durante os últimos anos, preocupados com a situação financeira da autarquia e com as consequências que esta poderia refletir nos munícipes e na economia local.
Recordo que os valores detalhados são já muito desatualizados, infelizmente para todos os nazarenos. A saber: o valor da dívida atual é acima dos 45 milhões. Contudo os números são, por vezes contraditórios, podendo, por isso, ser bem mais elevada, como pode ser evidenciada em alguns documentos oficiais.



Intervenção
(Apreciação da Informação Escrita do Presidente)
Parece mentira mas é verdade! Apesar do aumento do valor das receitas correntes em cerca de 800 mil euros, receitas estas em que se encontram inseridas os impostos pagos pelos contribuintes (aumento de 300 mil euros em impostos directos e de 230 mil euros em impostos indirectos), a verdade é que a Câmara Municipal da Nazaré viu a sua dívida ser agravada em quase seis milhões de euros.
Apesar das muitas desculpas apresentadas por elementos do executivo, justificando o aumento exponencial do desequilíbrio financeiro da autarquia numa diminuição de receitas oriundas de impostos como o IMT, deve ser aqui reiterado que esta justificação para além de ser falsa denota um total desconhecimento da verdadeira situação da autarquia.
Ao contrário do que é dito pelo Presidente de Câmara, o défice do município nazareno é muito diferente do défice nacional. Só no último ano na Nazaré o défice foi de 100%, ou seja, para receitas correntes de cerca de 8 milhões, a Câmara apresenta despesas correntes no valor de 16 milhões, ou seja, o dobro.
É importante referir que enquanto autarca, sempre abordei esta questão da dívida e a sua resolução como condição sine qua non para a criação de mais emprego e investimento no Concelho.
Quando iniciei a minha vida como autarca, a Nazaré tinha uma dívida calculada em 13, 5 milhões de euros, sendo, desta forma, atribuída uma dívida per capita (a cada munícipe) do valor de 900 euros. Já na altura era uma situação muito difícil. De 2005 até ao dia de hoje, sempre alertei, neste órgão e em órgãos de comunicação social, para este facto desconhecido por muitos e ignorado por tantos outros.
Desde 2005, ano zero da minha vida política, até final de 2010, a Câmara Municipal da Nazaré criou uma dívida que mais que duplicou e, pior que tudo, sempre duma forma injustificada, ou seja, sem obra que o justifique. A dívida per capita actual é de 1980 euros, o que perfaz o inacreditável número total de 29, 7 milhões. Onde e como isto vai parar? Esta é a pergunta que todos nós, autarcas e munícipes deste concelho, temos de fazer no imediato. Jamais poderei esquecer as gargalhadas sardónicas e inconscientes dos que não acreditavam nas palavras do meu, então, colega de bancada Aníbal Freire, quando apontava para orçamentos de 40 milhões e dívida de 25 milhões. Onde já vão estes números? Espero que um dia os mesmos jocosos possam ter a hombridade de pedir desculpa pela sua ignorância.
Para terminar, não podemos deixar de referir que os limites de endividamento encontram-se todos em excesso, com particular destaque para o endividamento líquido que se encontra cifrado nos 9,5 milhões de euros, o que significa, a curto prazo, a perda de mais receitas no próximo ano oriundas do Estado.
Na última Assembleia Municipal fui apelidado de alarmista, por colocar em causa a existência futura do Concelho da Nazaré, mas foi e será o Sr. Presidente da Câmara, alguém que nos últimos tempos nem participa nas reuniões do órgão a que preside, o autor desse acto difamante, que tem de explicar e ser julgado no presente. Devo recordar que já aqui defendi a elevação da Nazaré a cidade sem qualquer “clubismo” e facciosismo político, foi uma proposta rejeitada, talvez porque no projecto social-democrata esteja espelhado um objectivo: a regressão da Nazaré a aldeia.
Uma coisa é certa, por muita ocultação que se faça, por muita contra-informação que surja só com o objectivo de atropelar a verdade, a História, mais cedo ou mais tarde, será escrita com todas as vírgulas, pontos finais e adjectivos necessários para descrever o marasmo imposto ao concelho nas últimas duas décadas pelo Sr. Presidente de Câmara, o Eng. Jorge Barroso, o Partido Social Democrata e todos aqueles que, de uma forma ou de outra, apoiaram e/ou apoiam este modelo falhado.

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Situação Económica e Financeira Nacional em Outubro de 2011

Um ano depois decidi publicar esta intervenção no programa radiofónico "Vai ó Mar Tonhe", datada de 23 de outubro de 2011, em que partilhei o que era a minha opinião, à época, daquilo que considerei serem medidas muito gravosas, implementadas pelo ainda governo nacional. 
Faço-o não só para partilhar com todos os leitores e ouvintes mas também como instrumento de autodefesa para com todos aqueles que ainda me apelidam de arauto de desgraças cujo único intento que tinham e/ou têm é descredibilizar as minhas posições públicas.

Para ouvir...



  Situação Económica e Financeira em Outubro de 2011 by Orlando Jorge Rodrigues

sábado, 13 de outubro de 2012

A DEMOCRACIA SUBMERSA


O motivo, mais óbvio, que originou as recentes manifestações populares foi o galopante e intencional empobrecimento popular, promovido, com maior incidência, pelo atual governo da nação. No entanto, uma razão um pouco mais subliminar tem a ver com um fenómeno já antigo, que redunda num contínuo afastamento das populações em relação à política e, em particular, aos partidos políticos ou às pessoas que os compõem. Isto deve-se, acima de tudo, a um gorar de expetativas da sociedade civil que se vem agravando desde o brotar da alegada Democracia, que vigorou nas últimas décadas. Digo alegada porque, na sua essência mais purista, a Democracia é, tão-somente, a atribuição de responsabilidades ao povo dos destinos das populações, algo que, a meu ver, jamais se efetivou em Portugal. No pós 25 de Abril, os partidos políticos, recém criados, depressa encetaram esforços para cativar o maior número de eleitores, e diga-se que foi um momento em que a sociedade civil borbulhou, intensamente, na discussão dos seus destinos. Infelizmente, depressa a poeira assentou e o sistema político, ainda agora vigente, criou maus hábitos, ciclos governativos estereotipados, o discurso partidário enregelou e daí até ao desconsiderar o povo foi um pequeno passo.
O que, habitualmente, chamamos de Democracia depressa se tinha transformado num sistema oligárquico, em que uma elite governa e o povo assiste, de longe, ao faz e desfaz, contínuo, sem que em nada possa intervir.
A profissionalização de políticos foi o último passo, e mais célere, para a degradação do atual sistema. O que anteriormente era uma responsabilidade, muitas vezes, rejeitada por quase todos, tornou-se num privilégio financeiro a que muitos acorriam com a ambição de fazer disso a sua carreira profissional.
As populações, longe deste jogo de bastidores, foram sendo desprovidas de direitos enquanto os políticos e legisladores criavam privilégios, benefícios lícitos e ilícitos ao ponto de nem o sistema judicial ter coragem de os combater. Renascia um novo fenómeno: a corrupção.
A constante interligação entre os poderes político, judicial e económico deu origem a um processo de desconfiança, que só estagnou com o crescimento abrupto das condições de vida dos cidadãos, nos anos 90, ainda que de uma forma subvertida como, infelizmente, hoje atestamos.
Chegámos a um momento em que a classe política abusa do sistema vigente, chegando a executar as antíteses das propostas apresentadas ao eleitorado, sem que nada de anormal suceda. Todos estes factos têm dado origem a uma neoplasia célere no sistema denominado de democrático. Nos últimos anos, as populações declinam a delegar em alguém os seus destinos, porque renegam a classe política. Eis a verdadeira razão das manifestações massivas de cidadãos, que somente exigem seriedade na classe política e que estes se limitem a desempenhar a simples função de resolver os problemas dos cidadãos.
Depois desta lenta e contínua mutação, que penso se tornou irreversível e com solucionamento imprevisível, é com enorme espanto que verifico que no concelho em que nasci e habito se está, agora mesmo, a promover uma subversão do que deve ser o estado social e democrático. Pois bem, é intenção do atual executivo camarário, ou pelo menos de cinco ou seis vereadores, de concessionar, por trinta anos, o serviço de águas e saneamento e, logo de seguida, o estacionamento público a privados.
Por muito que a discussão redunde em demagogia bacoca, o que importa é que em momento algum estes políticos propuseram tais medidas à população e agora, depois de eleitos, e em final de mandato, pretendem esvaziar as suas próprias responsabilidades públicas. É no mínimo ilegítimo, sem que se ouçam as populações, promover a alienação de bens públicos para serem geridos por privados às custas do investimento dos cidadãos. Defendo que a Democracia tem um preço elevado, todavia cabe aos nossos governantes não se imiscuírem de gerir a causa pública. Para quem o não quer fazer, o que é legítimo, só resta a saída. Felizmente, que um dos vereadores social-democratas tomou a decisão mais congruente: a demissão de funções. Assim fizessem todos os que se servem do sistema, era um sinal de vitalidade.
Termino a minha reflexão, exprimindo que a geração que viveu Abril, de uma forma ou de outra, resolveu os seus problemas só que olvidou, ou não, que as vítimas destes artifícios serão as gerações vindouras. Ainda vão a tempo de recuar. Só não recua um fervoroso adepto da teimosia. A solução é possível, mas se a não procurarem ou atingirem saiam de cena e dêem oportunidade à geração portuguesa, mais qualificada de sempre, de resolver o que a antecessora fizera. Pelo menos enquanto há tempo. 



Orlando Jorge E. Rodrigues

Versão completa de artigo publicado em Região de Cister (26 de Setembro de 2012)


sábado, 15 de setembro de 2012

O renascimento da Democracia



É com um grande pesar que atesto que a Democracia, nascida após a pseudo revolução  25 de Abril de 1974, está em evidente decadência. Este conceito nado na Grécia Antiga tinha como base converter regimes impositivos, como a Oligarquia e a Ditadura, em algo que privilegiasse a vontade da maioria, ou seja, do Povo.
Muitas estirpes da Democracia foram sendo criadas, sofrendo inúmeras mutações ao longo dos séculos. Apesar disso, o conceito básico de defender os princípios e ideias chave da maioria da população jamais foi, formalmente, adulterado, contudo, nas últimas décadas, tem-se verificado uma subversão do conceito que, abaixo, escalpelizarei mais aprofundadamente.
Em Portugal, como se sabe, a Democracia só chegou, formalmente, em Abril de 1974, desde lá Portugal e os portugueses têm vido a aprender a reconhecer este modelo de gestão do Estado. Os partidos nascidos após a revolução acima citada foram os principais impulsionadores deste regime, como também os principais responsáveis da sua implementação.
Foi, efetivamente, neste ponto que se deu uma adulteração do conceito, já que, ao longo dos últimos anos, deu-se um afastamento dos eleitos em relação ao Povo. Talvez porque as novas gerações, já nascidas após a implementação do sistema democrático, desconhecem as premissas básicas da Democracia ou, então, pretendem ignorar ou subverter. Deixou de se governar para o Povo e isto é o aniquilar da Democracia. O regime atual assemelha-se mais a uma Oligarquia do que a uma efetiva Democracia e é preciso que as instituições políticas o assumam e promovam a necessária aproximação das massas populares.
Deu-se, nos últimos anos, um claro afastamento entre os programas eleitorais e a execução efetiva dos órgãos executivos. Este fenómeno começou a disseminar-se desde a Assembleia da República, sistema democrático nacional, até à democracia descentralizada das autarquias locais. Daí resultaram desvios financeiros gigantescos originados, principalmente, pela ingerência do poder económico no poder político.
Ora, esta filosofia mutante em que as empresas interagem com o Estado, colhendo dividendos, e daí sobejando as dívidas para o Povo provocaram não só uma relação de desconfiança entre Povo e os seus representantes como, nos últimos tempos, uma relação mais perigosa de descredibilização, desprezo e ódio que é importante analisar e erradicar se ainda queremos, nós portugueses, manter este sistema em vigor.
Assim, uma relação de verdade e honestidade é primordial. Importante, também, é fazer com que este sistema não privilegie quem se serve dele, mas sim fazer com que os seus representantes se limitem a servir os interesses do Povo.
Algo que, também, deu origem a esta virtualidade decadente foi a degradação de um pilar fundamental em qualquer regime, principalmente, no regime que se diz democrático. Em Democracia é fulcral a Justiça. Sem Justiça não há Democracia ou, pelo menos, corre-se o risco deste regime se subverter, como penso que ocorreu, na maioria das Democracias modernas. A parcialidade e impunidade evidenciada nos últimos anos deram origem a um aproveitamento de milhares em detrimento de milhões.
Este desequilíbrio financeiro, agora evidenciado, há muito que é apresentado e discutido fora dos meios de comunicação social por membros do Povo, mas sempre abafados pelo poder político e económico, este último, que se enraizou profundamente no Estado, dando origem a uma ocultação da verdade ao Povo pela maioria dos seus representantes.
Esta tão afamada crise, que vivemos em Portugal e no chamado mundo ocidental, é, para além de uma crise económica, uma crise de valores populares, sociais e políticos.
Desta decadência institucional não se pode isentar o formalismo democrático dos partidos políticos que antes de promoverem a Democracia, incentivam o desconhecimento e discussão política no seio dos cidadãos. Só promovem aproximação ao Povo aquando da aproximação dos atos eleitorais e, de seguida, promove um efetivo afastamento que corrói o conceito que aqui disseco: A Democracia.
Assim, compete aos partidos políticos promoverem uma aproximação física dos eleitores e ideológica dos compromissos assumidos perante os seus representados. Caso tal não suceda, antevê-se um distúrbio social iminente.
O mundo mudou! E, obviamente, Portugal não fugiu à regra. Caso os partidos políticos não alterem as suas ações e se não promoverem uma auto-regulação e, já agora, um afastamento efetivo da corrupção, então teremos a lenta destruição da Democracia, como a conhecemos, e entraremos numa escalada já vivida há milénios, em que outros sistemas começam a seduzir o Povo, destruindo o que levou décadas a construir.
O governo oligárquico vigente já caiu, é uma questão de tempo. Cabe a nós portugueses exigir às instituições políticas formais que se organizem e se revitalizem caso contrário será, uma vez mais, o Povo a reciclar o sistema político. A Democracia, a meu ver, é o sistema mais justo e representativo de uma sociedade. Se tiverem dúvidas de como restaurar a Democracia o que deverão fazer é ler os clássicos como Aristóteles e Platão. Lá está tudo o que se precisa saber sobre os vários sistemas políticos e os diferentes conceitos de Estado. É importante que os cidadãos e, em particular, os políticos os leiam. Aguardo, quase desesperadamente, que o façam para bem de todos.
Hoje, 15 de Setembro de 2012, é um dia diferente, é um dia de mudança. O Povo saiu à rua. Espero que seja um dia de mudança positiva. O descontentamento é mais que evidente e a alteração do rumo, até agora tomado, deve ser célere, para o bem de todos e da Democracia que o Povo quer reativar.
Destruir uma sociedade, como tudo na vida, é sempre muito mais simples que edificá-la.
- Leitores, pensem nisto!